sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

BLOGAGEM COLETIVA - Mãe solteira


Parece que o termo "mãe solteira" causa um certo sentimento de identidade a praticamente todas as mulheres que têm filhos e que estão solteiras. Só quem é mãe sabe os dilemas e as delícias desse dia a dia tão gostoso e movimentado da maternidade.

Mas me questiono por que essas duas palavrinhas têm sempre que andar juntas. Ser mãe é uma coisa e ser solteira é outra. Assim como sou solteira, sou profissional, sou estudante, sou ruiva (ou loira, ou morena), sou jovem, sou ciclista, adoro praia, natureza, gosto de ler, de pintar... Grosseiramente falando, é "cada uma no seu quadrado".

Esse é o primeiro ponto que me chama atenção quando o assunto é "mãe solteira". Outro ponto é que atualmente não conhecemos quase nenhuma mãe que não trabalhe fora. E, além de ter que conciliar a maternidade e o trabalho, ainda há contas para pagar, preços para pesquisar, materiais escolares e fraldas para comprar. Por mais presente que o pai seja, ele não está ali em muitos momentos, já que mora em outra casa. Por isso, achei interessante a ideia da Blogagem Coletiva sobre o tema, proposta pela Tenikey.

Quando me separei do pai de Maria Joana, senti um misto de medo e insegurança e me perguntava se seria capaz de dar conta do tamanho de tantas responsabilidades. Uma vez vi uma moça dizendo que "ser mãe é nunca mais ir ao banheiro sozinha". É verdade! Desde escovar os dentes, até fazer o gogó no liquidificador, preparar o banho, abrir a porta da rua com ela e as sacolas no braço... a gente se sente praticamente um polvo, com apenas duas mãos, sempre conciliando as tarefas com a criança no braço.

Mas, no fundo, a certeza de ter escolhido um grande pai me dava uma certa segurança. Sabia que, bastava um telefonema quando precisasse de alguma ajuda. Mas queria mostrar a mim mesma que poderia fazer tudo sozinha.

Às vezes tinha até raiva por ter muito mais trabalho e responsabilidades que o pai, mesmo sabendo que não há como praticarmos a guarda compartilhada, que é o que nós dois achamos que seria ideal. Tanto pela dificuldade de transporte como pela questão dos horários, entre outros empecilhos. Mesmo assim, passei um bom tempo nutrindo um sentimento de injustiça.

Hoje eu aprendi que quem tem filho não pode se achar a Mulher Maravilha e recusar ajuda. Independente da separação, tenho muito orgulho do pai que escolhi para Maria Joana, presente e grande parceiro na criação e educação dela.

Também aprendi a encarar com mais maturidade e menos resistência as responsabilidades que a maternidade traz. Para tornar as tarefas mais divertidas, eu a ensino a me "ajudar". Mostro a ela como esticar os bracinhos quando estou colocando a roupa e a "colocar o pezinho" quando visto a calcinha ou um shortinho.

Quando preparo a comidinha dela, dou a mamadeira ou a colher para ela segurar e depois me entregar. Eu mostro a ela que virar o bumbum para eu passar o sabonete me ajuda bastante e que esticar o pezinho para eu colocar a sandália facilita ainda mais. E até guardar os brinquedos na caixinha ela acha divertido, porque eu digo: "Ajuda a mamãe, bebê!". Sempre que ela termina de me ajudar, eu digo parabéns e ela comemora batendo palminhas. E eu brinco dizendo que ela é a minha melhor pequena estagiária.

Mesmo com qualquer reclamação de cansaço que às vezes eu solte, não trocaria nada por essa rotina. É a nossa cumplicidade que me reoxigena todos os dias. Ser mãe, ser trabalhadora e ser solteira, estudar, arrumar o quarto e cuidar das roupinhas não é uma junção de tarefas muito fácil. Eu diria até que é uma luta diária conseguir cumprir bem as metas e estar sempre de bom humor. Mas ter a companheirinha que tenho ao meu lado me faz enfrentar tudo com um misto de dureza, doçura, alegria e encantamento pela vida. :-)   

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Quarto de estudos

Todo esse clima de início das aulas e compra de materiais escolares até que me deixa empolgada. Tirando o "detalhe" dos gastos, é tudo divertido. Essa semana dei uma olhada na internet sobre materiais escolares e acabei encontrando vários links que falam sobre quarto de estudos.

Eu sei, Maria Joana ainda não tem idade pra ter um espaço de estudos, mas vendo várias imagens de ambientes desse tipo, até que comecei a planejar uma adaptação no nosso quartinho para quando ela começar a trazer "dever de casa"!!

Para quem tem filhos na idade pré-escolar ou adolescentes, vejam quantas ideias interessantes. 

De todos os projetos que vi, esse foi um dos que achei mais interessantes. A escada que dá acesso às camas é diferente daquelas estreitas e tem um ar de rusticidade. E as crianças não precisam "se equilibrar" para subir. Além disso, o espaço entre as escrivaninhas pode até propiciar uma maior concentração das crianças na hora de estudar. E ainda sobre espaço para elas brincarem. As camas têm 1,60 m de altura e o projeto é da arquiteta Fernanda Lovisaro. 

Outra ótima opção para quem precisa economizar espaço, pois esse projeto une as escrivaninhas às prateleiras para brinquedos ou livros. Adorei a ideia da prateleira de cima para encaixar as caixas organizadoras, fundamentais para quem tem crianças e muuuuitos objetos pequenos para guardar. As gavetas logo abaixo das escrivaninhas são pequenas, mas muito úteis para guardar materiais escolares, papeis de rascunhos, cadernos pequenos, etc. O modelo foi desenvolvido pela arquiteta Keyla Zylbersztajn.


Outro projeto da Keyla Zylbersztajn. É visivelmente planejado para uma criança pequena, mas pode ser adaptado, removendo as caixas de baixo, acrescentando uma cadeira na bancada e mudando poucos detalhes na decoração das prateleiras. Sou fã das prateleiras ordenadas dessa forma e achei um charme o verde do puxador de gavetas. Se fosse meu quarto, eu customizaria ainda mais com um papel de parede poá ao fundo das prateleiras ou com um adesivo em cima da escrivaninha.  


Não sou muito admiradora da "overdose de rosa", mas achei o módulo muito bonito. De uma só vez, tem espaço para a cama, o computador, os livros e objetos de decoração. Há pouco espaço para guardar caixas organizadoras e poucas gavetas, mas acho que um outro móvel menor pode complementar essas funções. Eu trocaria o rosa pelo laranja ou lilás. A minha dúvida com camas tão altas é como se faz para forrar. Alguém me esclarece? :-)
Não sei quem é o arquiteto, mas vi na internet que ele é vendido na loja Compra Fácil, em São Paulo.


Não gostei do papel de parede ao fundo da mesa de estudos, mas me chamou a atenção a simplicidade do móvel e sua colocação abaixo da janela. É um projeto interessante para quem dispõe de pouco espaço, mas tem outro detalhe que me chamou a atenção de forma negativa: quem estudar nesse quarto, estará de costas para a porta. Eu, particularmente, acho incômodo. Além disso, o mural de fotos e recados ficou escondidinho, atrás do beliche. Mas, como decoração é uma questão de gosto, fica a dica para quem se interessa. O projeto é da arquiteta Cinthia Liberatori. 


Outro projeto da arquiteta Keyla Zylbersztajn voltada para ambientes com pouco espaço físico. Mas, desta vez, a escrivaninha fica acoplada ao guarda-roupa. Apesar do uso de gavetas ser opcional, ele é bastante indicado, para manter o ambiente organizado. Eu acrescentaria mais uma prateleira no espaço de baixo e aumentaria o tamanho vertical das gavetas.

Um quarto simples, com uma decoração simples, mas muito bonito. A escrivaninha não dá muita opção para guardar os materiais, então a colocação de prateleiras pela parede é uma boa alternativa.

Não tenho certeza, mas me parece que esse projeto é o mesmo da foto anterior, só que visto de outro ângulo (vocês tiveram essa impressão?). Se for, o projeto é da arquiteta Keyla Zylbersztajn. Para mim, o espaço seria pequeno, mas tudo depende da forma como cada um estuda.


O destaque dos móveis, da Joli Bébé, é o estilo colonial. Eu acho que não tem muito a ver com a nossa realidade, mas há quem valorize a decoração no estilo "palácio real" (e quem tenha muito dinheiro para isso). Sou mais adepta do estilo moderno e confortável (não vi de perto, mas a cadeira não me pareceu muito convidativa ao conforto). Mas, para quem gosta do estilo, o projeto é muito bonito.


Outro projeto da Joli Bébé, de estilo colonial e voltado às meninas. É parecido com o anterior, mas achei mais delicado. Não há muitos espaços para guardar os materiais de estudo na mesa, mas até que o baú ao lado da bancada deu um charme à organização do ambiente.


Gostei da mesa e do estilo das cadeiras. Mas, se a mesa fosse maior, as crianças teriam ainda mais espaço para espalhar os livros, cadernos e lápis. Não sei de quem é o projeto.


Achei diferente e inovador esse projeto da arquiteta Paula Radomille. Para quem tem dois filhos, as camas são válidas e lindas. No entanto, só há espaço para uma mesa de estudo. Se a cama de cima for voltada para visitas ou para aquele filho que mora em outro lugar e precisa de um refúgio de vez em quando, está ótimo!


As cadeiras são de estrutura cromada, com assento em acrílico transparente. Achei interessantes, mas muito pequenas, com ar de desconforto. A mesa então, já é pequena para um, imagine para quatro. Não achei o design muito próximo ao gosto usual de uma criança, mas acho que há quem se interesse. Não sei de quem é o projeto.


O projeto é muito parecido com o de cima, com destaque ao design diferente e  divertido das cadeiras. São lindas, mas também me parecem desconfortáveis. Não sei de quem é o projeto.


Não gostei dos bichos acoplados à parede, dá um ar de caça. A primeira imagem que me veio à mente foi aquelas cenas de filme onde os animais são empalhados pelo caçador. Mas adorei o restante da decoração, principalmente a ideia do Mapa Mundi. Detalhe para o pufe feito de corda de Pet. Não sei de quem é o projeto.


Também adorei esse projeto. Os espaços foram muito bem aproveitados e me chamou a atenção a organização das gavetas e prateleiras (detalhe que sempre me encanta). A escrivaninha e a escada são um charme. Não sei de quem é o projeto (infelizmente).

Achei essa decoração (projeto da arquiteta Anita Lerner) bastante poluída e a ideia de a cor principal ser um tanto escura (pelo que percebo, uma tonalidade de marrom) também não me agrada. Mas gostei do estilo da cama e da cadeira, que têm um ar meio rústico (parecem ser de madeira antiga). O espaço foi bem aproveitado, mas fiquei intrigada sobre o guarda-roupa. Onde ele ficou alocado?


Fontes:
Revista Casa e Jardim
Revista Bebê

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

As brincadeiras e o ambiente social

Acredito que uma simples brincadeira é capaz de expressar simbolicamente a forma que as crianças vêm o mundo e as pessoas ao seu redor. É nas atividades escolhidas para se divertir e na própria forma de brincar e de socializar a brincadeira com os coleguinhas que as crianças expressam tudo aquilo que vêm no seu ambiente de crescimento, principalmente a forma como são tratadas.

Ensinar a criança a brincar coletivamente também
é ensinar a conviver bem com os próximos
Passei a pensar mais nisso quando percebi que Maria Joana faz com suas bonecas tudo o que eu faço com ela. Desde o abraçar e "colocar para dormir" até "fazer cócegas"! Quando ela pega os brinquedos de montar e encaixar, os gestos são iguais aos que fazemos para ensiná-la como se encaixa. Quando dou um pratinho pra ela brincar, ela finge que me dá comida, igual à forma como fazemos com ela.

Construção de significados

Passei a pesquisar mai sobre o assunto e hoje li um texto muito bom sobre o assunto, que na verdade é uma tese de doutorado da professora Sônia Regina dos Santos Teixeira, intitulada "A construção de significados nas brincadeiras de faz de conta por crianças de uma turma de educação infantil da Amazônia". Segundo a tese, "os desejos e as necessidades da criança estão relacionados, principalmente, às interações com os adultos, suas atividades e funções, que acabam por se transformar em argumento das brincadeiras de faz de conta".

No estudo, ela cita exemplos de crianças que brincam de caçar, atividade muito importante na estrutura social da qual elas fazem parte. Não acredito que uma criança da idade de Maria Joana tenha noção dos tipos de atividade econômica que são exercidas ao seu redor ou das diferenças de gênero nas brincadeiras (o que seria "brincadeira de menino" e "de menina"). Mas acredito que ela reproduz (da sua forma) a maneira como é tratada e como se socializa com os coleguinhas e outras pessoas ao seu redor.

Imagem retrata a reprodução do
carinho entre a menina e a boneca
. 
É claro que nem todos os gestos da criança devem ser levados a ferro e fogo e o ideal é deixá-la se expressar à vontade. No entanto, eu tenho percebido que, quando Maria Joana se irrita (principalmente quando eu brigo com ela por pegar algo que não pode), ela quase sempre vai em direção a uma de suas bonecas e bate nela, ou então joga um brinquedo no chão.

No entanto, ela nunca apanhou de nenhum adulto. Mas acredito que, na convivência com crianças de várias idades no hotelzinho, existam os empurrões, beliscões, mordidas, tapas... coisas normais entre crianças que passam o dia inteiro juntas (mas que devem sempre ser observadas).

É claro que não dá para criá-los numa bola de cristal. A "violência" entre elas acontece mesmo, muitas vêem em casa, na escola, na rua ou mesmo pela televisão. Nesse sentido, eu fico me perguntando o que poderia ser feito para mostrar a eles que esse tipo de atitude é errado.

É claro que bater é a pior solução. Não se ensina a não ser violento utilizando-se de violência. O que eu tento fazer para mostrar a Maria Joana que é errado bater nas bonequinhas é conversar e fazer com a boneca o que eu quero mostrar a ela que deve ser feito: como se a boneca fosse a personalização de um amigo que ela tem que tratar com carinho.

Eu geralmente pego a boneca, abraço, beijo, "converso", e estimulo ela a fazer o mesmo. Na mesma hora ela repete, e percebo que, com o tempo, ela passa a entender que o ato de bater é errado. Mesmo quando o faz, ela sabe que será "reprimida". 

Eu fico me perguntando também se a forma como meninos e meninas agem com os bonecos é a maneira como eles se comportam na socialização com outras crianças. De qualquer forma, mesmo sem perceber direito essa relação entre os brinquedos e os momentos com os colegas, não dá pra ver uma criança tão pequenininha agindo com violência e olhar com naturalidade. 

Fontes das imagens:  
Umbiguinhoslings 
Grupo Conto e Cena 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Choque-pós-lista-de-materiais-escolares

O discurso é sempre o mesmo: chegou o mês de janeiro e todos os pais resmungam da "extensa e abusiva" lista de materiais escolares, os jornais produzem várias matérias de utilidade pública ensinando a economizar na hora da compra, a pesquisar, etc. 

Para quem apenas ouve, o impacto não parece ser tão grande. "Que besteira, é necessidade mesmo...". Quando eu era mais nova, sempre me chateava com os resmungos de meu pai na hora de comprar os materiais escolares. "Que culpa eu tenho se eu preciso disso pra estudar?".

Quem não quer uma lista dessa de materiais? rsrs
Mas, esse ano eu ganhei o meu primeiro choque-pós-lista-de-materiais-escolares. Desde o último mês de dezembro, quando soube que Maria Joana mudaria de turma - passando do berçário para o maternalzinho -, fiquei empolgada com a ideia.

Achei o máximo essa coisa de meu bebê começar a estudar. E fui pegar a lista de materiais toda empolgada, planejando comprar todas as canetinhas coloridas, borrachinhas de desenhos, kits para desenho... gente, é realmente um choque!

Quando olhei a quantidade de coisas, olhei pra Maria Joana e me perguntei como uma criancinha daquele tamanhinho seria capaz de usar tudo aquilo como se soubesse escrever e desenhar com todos os tipos de cadernos, lápis e papeis diferentes. E agora?

Pesquisar é fundamental!
Procurei algumas matérias, conversei com algumas mães  e pais (fundamental, essa parte) e... lá vão algumas dicas:

* Não precisa comprar e entregar todo o material de uma vez só. Eu já conversei com a proprietária da escolinha e deixei claro que entregarei os materiais aos poucos. Agora, só o necessário. Depois, vou comprando o resto aos poucos. 

* Não compre aquilo que você achar abusivo, a lei te protege. Se a lista pede materiais que são questionáveis e você sabe que seu filho não vai usar, não faz sentido comprar.

* Nem tudo precisa ser comprado de acordo com a marca que eles pedem. Conversando com uma mãe amiga, ela me disse que, ao invés de comprar lápis Faber-Castell, ela optou por uma marca mais barata. Para uma criança de um ano e meio, qual a diferença que faz?

* Procure por materiais usados e em bom estado de conservação. Sebos e feiras de trocas de livros são ótimos espaços para encontrá-los. Além disso, oferecer livros usados aos seus livros já os estimula a valorizar e cuidar melhor dos materiais. Ele acaba tendo consciência de que aquele mesmo livro será usado por outra criança.        

O mais importante de tudo nessas horas, quando o objetivo é economizar, é conversar com outros pais e buscar alternativas viáveis que não prejudiquem o aprendizado da criança. 

Se você já passou por situações abusivas (como encontrar pedidos de papel higiênico) ou conhece alguém que passou, me mande sua história (priscilaviana@gmail.com). Vai ser o tema do próximo post. :-)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Africanizando Sergipe

Africanizando Sergipe
Rafael Aragão*

O Brasil é um país que tem forte influência Africana. Seja nos costumes, na comida, na música, no vestuário. Toda casa tem um pouco de África, dizia uma música do extinto grupo pernambucano Sheik Tosado. No entanto, isso não impede que nos deparemos com situações de preconceito racial. Em  2011, tivemos dois casos que tomaram projeção nacional e foram discutidos não só nas ruas, como nas já massificadas redes sociais. 

O primeiro foi o de  Jair Bolsonaro, deputado federal (PP-RJ), ao dizer num quadro do programa CQC da Band que não corria o risco de filhos namorarem mulheres negras por que eles foram "bem educados" e que não discutiria essa "promiscuidade". No outro caso, uma jovem que estagiava  em uma escola de São Paulo  foi convidada a alisar o cabelo, para "melhorar" a aparência. Como não aceitou a proposta, foi transferida do atendimento ao público para as funções de arquivo. A jovem prestou queixa depois do ocorrido.
 
Por isso, considero importante estar sempre reafirmando minha negritude e apoiando ações de valorização e respeito pela cultura afro. E foi com esse pensamento que aderi à campanha "Eu Africanizo Sergipe". A campanha  faz parte do festival  Wapi Brasil . A Wapi surge no Quênia e que significa ( Words and Pictures), ou seja, palavras e imagens. 

É um festival que, segundo seus organizadores, "é uma plataforma cultural para poetas, designers, MC's. dançarinos, grafiteiros, desenhistas, cartunistas, cantores e artistas envolvidos em qualquer arte visual e verbal, com ênfase na cultura afro-diasporica.". Neste ano foi realizado o primeiro Wapi Brasil em São Paulo com o tema "Eu africanizo São Paulo". Os MC's Marcos Santos e Anderson  Passos, mais conhecidos como Marcão e Hot Black, trouxeram a campanha pra Sergipe já vem movimentando as redes sociais com as fotos do "Eu Africanizo Sergipe".

Na última sexta feira dia 23, eu e minha filha Maria Joana fomos fazer uma das fotos da campanha, no estúdio da tv Aperipê, juntamente com artistas e ativistas locais. Foi muito prazeroso fazer as fotos, claro que o fato de estar junto com Maria Joana era especial. Apesar de pequenina, sua desenvoltura foi elogiada por todos. Para mim era muito importante estar com ela, são nesses pequenos gestos que vou ensiná-la sobre a importância da cultura negra para a formação do nosso país, de ter orgulho da histórias de Zumbi e  João Cândido, o respeito às religiões de matriz africana. E que nunca tenha medo de Africanizar, que ela espalhe um pouco de África por onde for. 

* Rafael Aragão é o pai de Maria Joana e autor desta postagem.

Confiram quem já está "Africanizando Sergipe" 



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Minha estrelinha do mar

Sua primeira experiência no mar
Sei que era uma dívida histórica, mas já estou quite com minha prendinha. Tudo bem, eu sei, demorei um ano e três meses, mas finalmente Maria Joana conheceu o mar!

Domingo passado fui me encontrar com históricos companheiros de UFS e de movimento estudantil e encontrei com ela lá (que foi levada pelo pai, na verdade). Ah, ela adorou o mar! 


Nada como as "piscinhas" para as crianças!

Gente, descobri que minha filha é tão praieira que até eu mesma me animei para ir mais vezes à praia. Os gritinhos de felicidade dela quando as ondas passavam pelas perninhas eram sensacionais! E, como não podia ser diferente, o trabalho que ela me deu foi para tirar o maiô e ir pra casa.

Quem topa ir com a gente da próxima vez? Vou levá-la toda semana, agora. :-)

sábado, 17 de dezembro de 2011

"Crianças cientistas"

Sid, o cientista
Maria Joana ainda não tem idade para assistir aos desenhos animados (ou outro tipo de programa) e compreender o conteúdo. No máximo, ela entende quando toca uma música e começa a bater palmas e a dançar. Isso é normal, ela ainda tem pouco mais de um ano.

Mas meus sobrinhos assistem a vários desenhos, e sempre que estou em casa, presto um pouco de atenção na programação. Recentemente, percebi um desenho muito interessante para crianças em idade pré-escolar... naquela fase de grandes descobertas: Sid, o cientista. Não sei se passa em outros canais, mas é exibido no Discovery Kids e na TV Cultura.

Sid é um garoto de cinco anos que observa atentamente tudo ao seu redor, faz várias perguntas e tem sede de aprendizado. Ele reúne os amigos em volta da tia Susie (que eu acho que deve ser uma professora), para fazer vários experimentos e observações científicas.

Tia Susie fazendo experimentos com as crianças
Mais interessante do que a criatividade de Sid e dos amigos, é observar a paciência e a compreensão tanto da professora quanto da família de Sid para ensiná-lo e tirar suas dúvidas.

Depois que assisti ao primeiro episódio, passei a prestar mais atenção para eu mesma aprender formas interessantes de ensinar a Maria Joana sobre as coisas rotineiras quando ela começar a aderir ao "o que é isso" e ao "porquê" (ansiedade para que chegue essa época!!). 

Recomendo muito às mães e pais que precisam de ajuda na hora de explicar as coisas aparentemente inexplicáveis às crianças. Não só desperta a criatividade nas crianças, como também ajuda os pais a serem didáticos com os filhos. 


Abaixo, um trecho sobre o desenho que li em um site sobre pedagogia e educação infantil:


"Os principais valores educacionais de Sid, o Cientista são estimular as crianças a pensar, falar e trabalhar como cientistas, embasado em sua curiosidade natural pelo mundo; demonstrar que a ciência está por toda parte; contribuir para a preparação escolar, fomentando as habilidades intelectuais das crianças, a motivação para aprender e a confiança em si mesmos como estudantes; e apoiar a aprendizagem com o objetivo de criar um “clima de curiosidade” para as crianças."

Super-recomendo!!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Chapolin Colorado, muita criatividade e uma ótima socialização


A criativa decoração do Chapolin Colorado
O que vemos em um aniversário geralmente são mesas e cadeiras muito bem espalhadas no espaço (geralmente o quintal de casa ou um salão de festas), com o espaço de decorações à parte. Uma big mesa onde ficam a torta e toda aquela gama de enfeites temáticos, ao lado da caixa de presentes e a infalível e irresistível mesa de doces e chocolates por perto.

Mas, no último domingo, Maria Joana e eu fomos a uma festinha de aniversário super criativa e diferente. Era a festinha de um aninho do Ravi, filho da querida Débora, contemporânea da UFS. O tema por si só já é bastante criativo: o Chapolin Colorado. A decoração do espaço em vermelho e amarelo foi um charme total!

O melhor espaço de socialização
que já vi em uma festinha
Mas, além da marreta biônica e das anteninhas de vinil que fizeram a gente recordar de nossa infância (quem nunca curtiu o Chapolin Colorado?), um detalhe muito bom chamou a atenção e fez o diferencial de todas as festas para onde já fui.

Além das mesas colocadas no salão, Deby criou um espaço de integração muuuuito divertido, com tapetes, esteira e várias almofadas no chão. As crianças adoraram e Maria Joana se jogou. Rolou, caiu, levantou, deitou... ela amou a ideia.

Uma coisa simples e que fez da oportunidade um grande espaço de socialização entre mamães e bebês. O cenário não foi "cada amigo em suas respectivas mesas", mas todas as mamães e as crianças interagindo no chão, entre as almofadas, descalças... enfim, à vontade!

Os bebês brincando entre as almofadas
 
Mamães e filhotinhos à vontade...
Tá aí boa ideia para as mamães e papais :-)

A mamãe e o aniversariante

Hellen e a pequena Lys, ao lado de Ravi e da mamãe Deby

Maria Joana e sua nova amiguinha, Ananda.
As duas brincaram juntas quase a noite toda. rsrs

Quanta gente feliz!

Ravi, Maria Joana e a marreta biônica interagindo entre si
As crianças aprovaram o espaço de socialização

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Viva la playa!!!

Concentrada na arte de "areiar" o carrinho
Depois de passar mais de um ano sofrendo bullying por nunca ter levado Maria Joana à praia, finalmente decidi enfrentar meus medos e apresentá-la ao litoral aracajuano. 

Tinha medo de que ela tossisse muito com o vento da praia, de que a areia pudesse entrar em seus olhinhos ou de que um louco jogando vôlei pudesse esbarrar na minha pequena prendinha. Mas me convenci de que isso era superprotecionismo e acatei a sugestão da dinda Dí. 

Assim que ela apresentou uma melhora com relação à tosse, coloquei em Joanoca o maiô lilás cheio de babadinhos, as havaianinhas do tamanho de uma borracha, e carreguei os brinquedinhos de praia ainda inutilizados.


Um charme com o novo maiô lilás
Mas mãe é bicho besta, viu?! Medos ridículos! 

Maria Joana se jogou na areia e adorou a experiência!! Não queria mais saber de colo e nem do resto do mundo. 

Conversou bastante e achou engraçadíssimo o fato de a areia cair entre os dedos. 

Gostou tanto que depois abriu três berreiros o resto do dia: o primeiro para não ir embora, o segundo para não tirar o maiô e o terceiro quando finalmente chegou em casa. 

Mas o que importa é que assim como a mamãe e o papai, ela virou fã da praia e me disse que quer voltar mais vezes. Claro que, como diz meu sobrinho, na "língua dos bebês". 


Jogaaaada na areia!
Obs.: Não posso mentir para os fãs de Maria Joanoca. Não foi nessa experiência que ela conheceu o mar. A areia estava muito quente e mamãe estava com preguiça. Vai ficar para a próxima! =P

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Mãe pode tudo! Pode mesmo?

Qual mãe nunca pensou que poderia responder em nome dos filhos em qualquer situação ou resolver qualquer problema que envolvesse o nome deles? Qual mãe nunca ouviu aquela incômoda pergunta: "E você pode?" e respondeu logo "É claro. Eu sou a mãe, se eu não puder, quem pode?"


Há meses eu perdi a carteirinha do plano de saúde de Maria Joana e sempre adiei solicitar a segunda via. Sempre que a levo ao consultório, vou (ridiculamente) com um papelzinho onde anoto o número do plano. Tudo por comodismo. A questão é que Maria Joana é dependente do plano de saúde do pai, pois eu não tenho.


Essa semana levei minha bonequinha pra fazer alguns exames e quando a "moça do balcão" pegou o papelzinho, disparou: "Olha, é melhor você solicitar o cartãozinho dela, porque eu estou aceitando, mas outra pessoa pode se recusar a aceitar". Então expliquei que ela era dependente do pai e perguntei: "Mas eu posso solicitar?"


E, para meu próprio espanto (posterior), antes que a moça pudesse responder, eu mesma me encarreguei: "Claro que posso né, eu sou a mãe!!", com toda a autoridade de quem reivindica a coroa da realeza britânica. A coitada não tinha mais nem o que dizer.


Então fui hoje, com toda a minha pose de mãe e depois de uma boa espera, me apresentei logo, é claro ("Sou a mãe de Maria Joana"), e disse o que queria. Foi quando a outra "moça do balcão" me deu uma bofetada: "A senhora não pode solicitar não, tem que ser o pai".
Mamãe em crise...


Gente, paralisei. Como assim a mãe não pode? Perguntei três vezes (três!): "Mesmo eu sendo mãe... não posso?!". 


Sei que muitos de vocês estão rindo agora, e até eu me sinto um pouco ridícula por essa história. Mas na hora fiquei sem ação. Uma mãe ouvir que "não pode" fazer algo em nome da filha (ainda mais de 1 aninho)... pega a gente de jeito, né?!