sexta-feira, 1 de março de 2013

Recomendações para publicidade em programas infantis

Uma ótima notícia que foi publicada na Agência Brasil:


Novas recomendações para publicidade em programas infantis começam a valer hoje

01/03/2013 - 6h23
Thais Leitão

Repórter da Agência Brasil

Brasília – A partir de hoje (1º), estão proibidas ações de merchandising (publicidade indireta colocada em programas, com a exposição de produtos) dirigidas ao público infantil em programas criados ou produzidos especificamente para crianças em qualquer veículo. A norma faz parte das novas recomendações para a publicidade que envolve crianças e adolescentes, definidas no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.

Segundo o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), a publicidade de produtos e serviços direcionada a esse segmento deve se restringir aos intervalos e espaços comerciais.
As alterações, incorporadas à Seção 11 do código, que reúne as normas éticas para a publicidade do gênero, também preveem que as ações de merchandising em qualquer programação e veículo não empreguem crianças, elementos do universo infantil ou artifícios publicitários com o objetivo de captar a atenção desse público específico.
Segundo o Conar, a nova redação é fruto de um pedido da Associação Brasileira de Anunciantes, reconhecendo a necessidade de ampliar a proteção a públicos vulneráveis, e representa um aperfeiçoamento das normas anteriores. O órgão ressalta que, ainda que seja de adesão voluntária, o documento é unanimemente aceito e praticado no país por anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação.
Ao defender regras mais restritivas para o setor, o Conar destaca ser contrário à proibição total da publicidade infantil, por entender que se trata de parte essencial da educação. “Privar crianças e adolescentes do acesso à publicidade é debilitá-las, pois cidadãos responsáveis e consumidores conscientes dependem de informação", disse, em nota, o presidente do conselho, Gilberto Leifert.
Para definição do público infantil, o código adota os parâmetros do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). De acordo com o ECA, são consideradas crianças meninos e meninas até 12 anos de idade incompletos e adolescentes, os que têm entre 12 e 18 anos de idade.
Na avaliação de Ana Cláudia Bessa, uma das fundadoras do movimento Infância Livre de Consumismo, coletivo formado por pais e mães inconformados com os estímulos da publicidade infantil ao consumo excessivo, é preciso esperar para verificar como as novas regras serão colocadas em prática e de que forma o Conar vai lidar com possíveis descumprimentos.
A ativista, que defende o consumo consciente, teme que a incorporação das recomendações seja um “movimento de bastidores” para  evitar que o Brasil tenha uma lei específica que regulamente o assunto.
“O Projeto de Lei 5.921/01, que proíbe a publicidade dirigida à criança e regulamenta a publicidade dirigida a adolescentes, tramita há mais de dez anos no Congresso Nacional. Tenho receio que, diante da grande pressão da sociedade, o Conar tenha feito essa alteração para evitar mudanças mais profundas, previstas no projeto”, disse.
Ela lembrou que a autorregulamentação do setor, exercida pelo Conar, é importante, mas não é suficiente, uma vez que o código em que se baseia não tem força de lei. “O Conar apenas recomenda. A lei é fundamental porque é preciso haver alguém que puna, que aplique multas pesadas em caso de descumprimento”, destacou.
Segundo especialistas, as crianças não têm desenvolvimento psicológico suficiente para identificar estratégias de persuasão utilizadas nas peças publicitárias e facilmente confundem o cenário e os resultados produzidos com a realidade.
É disso que a assistente de direção de arte Thaiane Pinheiro, 23 anos, se queixa. Mãe de um menino de 5 anos, ela diz que é preciso haver “muita conversa” e firmeza nas decisões para driblar o impulso consumista despertado pela propaganda nas crianças.
“Normalmente, ele quer todos os brinquedos que aparecem nos comerciais. Eu converso muito com ele e sempre dou [presentes] em datas comemorativas, como Natal e aniversário”, disse, destacando que é comum que o carrinho ou o boneco tão pedido perca a graça em pouco tempo.
“Muitas propagandas iludem as crianças. São sempre coloridas, mágicas e trazem a sensação de que, com o brinquedo, a criança pode ser um super-herói. Quando elas ganham o brinquedo ficam felizes por umas duas horas até descobrir que ele [o brinquedo] não faz tudo o que estava no comercial e logo passam a querer mais e mais”, disse.
Edição: Lílian Beraldo
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A atuação do enfermeiro na Educação Infantil

Os berçários e hoteizinhos têm sido importantes aliados na educação infantil das crianças. Enquanto os pais trabalham, estudam ou realizam outras atividades, têm a confiança de que há profissionais não apenas tomando conta, trocando fraldas ou colocando para dormir, mas principalmente desenvolvendo atividades pedagógicas capazes de estimular a coordenação motora e cognitiva das crianças. 

Enfermeira mostra primeiros cuidados em casos de acidente
Para que o projeto pedagógico implementado na instituição atenda às necessidades das crianças, é necessário que o berçário ofereça uma equipe multidisciplinar, composta por pedagogos, monitores, nutricionistas que elaborem um cardápio saudável e outros profissionais adequados para atuar na educação infantil. Por isso, os berçários que possuem em seu quadro funcional profissionais da área de saúde se destacam por transmitir segurança e tranquilidade aos pais. 

Quando os familiares não estão por perto, são esses profissionais que promovem atividades realmente benéficas à mente e ao corpo da criança e previnem acidentes e machucados. E, mesmo quando os acidentes ocorrem, estão perfeitamente qualificados para tratar dos primeiros cuidados. Esse é o caso do Berçário Hotelzinho Primeiros Cuidados, fundado e gerido por uma equipe de enfermeiras. Para a enfermeira e gestora da instituição, Vilma Pereira, a presença desse profissional na equipe é fundamental não só para cuidar da saúde da criança, mas também para coordenar, orientar e supervisionar os outros profissionais que estão em contato direto com as crianças. 

“Nessas instituições, o enfermeiro executa treinamento com as cuidadoras - que no nosso caso são todas auxiliares de enfermagem -, capacitando-as a avaliar a criança sob um olhar profissional direcionado, avaliando sua frequência respiratória, cardíaca, sinais vitais e se o desenvolvimento está condizente com a idade cronológica. Em caso de qualquer alteração, administramos os primeiros cuidados, prevenindo assim uma maior complicação, com base nos conhecimentos de puericultura”, afirma Vilma.


Profissionais de saúde atuam na Educação Infantil
Em sua grade curricular, o enfermeiro tem conhecimentos técnicos e científicos a respeito de cuidados com crianças saudáveis e hospitalizadas. Por isso, nos berçários, eles têm autonomia para aplicar cuidados de enfermagem em todas as circunstâncias que se fizer necessário. Além disso, a orientação direcionada aos pais e o esclarecimento de suas dúvidas são elementos fundamentais para que eles se sintam tranquilos e seguros com relação aos seus filhos. 

No entanto, Vilma enfatiza que os cuidados frequentes com a criança não devem ser deixados de lado por conta disso. “A presença do enfermeiro no berçário não substitui outros papeis. Não isenta os pais, por exemplo, das consultas periódicas e/ou emergenciais com os pediatras de seus filhos e outros profissionais quando necessário”, destaca a enfermeira.


Aula de massagem shantala com mães e profissionais
Por todas essas e outras razões, instituições que têm em seu quadro equipes de enfermagem vão além de um bom lugar para as crianças passarem o dia. O diferencial é notório, graças ao olhar clínico do enfermeiro, capaz de identificar qualquer alteração a tempo de tomar as devidas providências. “O espaço deixa de ser um lugar onde a criança tem seus cuidados de higiene e sono preservados para ser algo muito além disso. Parece chiclê, mas antes prevenir do que remediar”, acrescenta Vilma. 

*Texto originalmente publicado na coluna sobre maternidade, no Jornal da Cidade de domingo, 24/02. 


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

As contradições na hora de educar

Ontem não foi a primeira vez que minha filha me deu uma lição de moral, mas foi uma das que me deixaram mais reflexiva. E me fez sentir mal. Enquanto nos arrumávamos para ir ao teatro, ela não parava quieta. Parecia um surto daqueles que a criança quer mexer em tudo, derrubar tudo, bagunçar o cabelo já pronto, se esfregar no chão com o vestido novo... aquela velha novela.

Então eu fui me irritando e disse que ela já poderia parar de 'encher o saco'. E ela disse que quem estava enchendo o saco era eu. Na hora, me senti desrespeitada na autoridade de mãe e disse que ela parasse de me responder, senão ela iria apanhar antes mesmo de sair de casa. E ela novamente respondeu, dizendo que eu é quem merecia apanhar - e dela! Então eu disse que ela estava passando dos limites e dei um tapa no ombro - desses que a gente já dá com pena.

Pelo escândalo que ela fez, tenho certeza que ela estava muito mais ofendida pela falta de autoridade em revidar do que pelo tapa em si. E então o clima ficou tenso. Ela não parava de chorar e eu não conseguia me acalmar com os gritos dela, que continuava tentando chamar a minha atenção.

Enfim, quando ela parou de chorar e de gritar, fui conversar com ela num tom mais calmo, sem deixar de ser ríspida. Disse que o comportamento dela era muito feio, que ela estava agindo como uma menina boba e que isso me deixava muito chateada. Ela ficou calada, olhando nos meus olhos com cara de ofendida (como sempre faz). E depois que eu terminei de falar, ela disse:

- Eu também fiquei chateada! 

Eu ressaltei que ela estava chateada por uma situação que ela havia começado, por não se comportar e nem me ouvir na hora que eu falo. Disse que havia ficado chateada com a forma como ela tinha falado comigo e que é muito feio gritar com a mãe. E perguntei:

- Você promete que não vai mais gritar com a mamãe?

E ela respondeu, para meu espanto:

- Certo. E você também, né mãe?

Na hora pensei em dizer que eu tinha o direito de gritar o quanto eu quisesse, porque eu era a mãe, e ela uma criança de apenas dois anos. Mas ela estava certa. A minha posição de mãe não me eximia de me controlar e tratá-la da forma como ela se sente respeitada. Na hora do nervosismo, dificilmente pensamos bem antes de falar, e acabamos exagerando na rispidez e no tom de voz. E não nos perguntamos o quanto isso pode ofendê-los. Me arrependi de ter dito que 'ela estava enchendo o saco', porque percebi que foi isso que a havia magoado. E então eu percebi que eu estava procurando um motivo para me eximir da culpa por ter causado a briga, que se inflamou não pela inquietação dela, mas pela minha reação. Então eu disse:

- Tá certo... nenhuma de nós duas pode gritar com a outra, vamos sempre conversar com calma, né?
- É...
- Certo. Mas você tem que me pedir desculpas, porque eu fiquei chateada com a maneira como você falou comigo.
- Desculpa, mãe... 

Nos abraçamos e eu refleti sobre como de certa forma eu também estava sendo autoritária e arrogante com ela. Confundindo autoridade com autoritarismo. Mas, depois de alguns segundos, ela disse:

- Você também me 'peda' desculpas, mãe... 

E então eu pedi, segurando o riso. Achei e sempre acho impressionante o quanto ela não se submete, nem sob pressão. O interessante é que ensinamos as coisas de uma forma para a criança e nos comportamos de outra. Em vários outros momentos, eu já havia dado algumas broncas nela e quando eu subia o tom de voz, ela sempre dizia:

- Mãe, fale baixo... não precisa gritar.

Sempre achei uma ousadia da parte dela, mas dessa vez eu percebi que ela enxerga a nossa relação com os olhos da coerência e da igualdade. O que vale para uma, também vale para a outra. E que, antes de exercemos nossa autoridade, a gente tem que pensar mais em nossos erros também. Pais e mães falham, isso é normal. E temos dificuldade de mostrar isso aos filhos, de pedir desculpas e se retratar. Mas exigimos isso deles. Eu exigi que ela me pedisse desculpas, mas na cabeça dela eu também tinha que pedir. E ela estava certa. 

Na hora nos sentimos invadidos e desautorizados, mas é preciso educar com coerência. E logo eu, que sempre fui contra a máxima de "eu posso porque sou sua mãe", me flagrei diante de uma contradição. Mas nós conversamos, pedimos desculpas uma à outra, nos abraçamos e depois saímos. E prometemos mudar, claro. 


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Futebol!!!

Finalmente vencemos o medo do perigo e levamos Maria Joana ao estádio de futebol pela primeira vez. No último domingo, o Sergipe - time para o qual meu pai me ensinou a torcer nos estádios - jogou contra o River Plate pela Taça Governo do Estado, no Batistão. Colocamos nela uma roupa vermelha e branca e fomos na fé!

Maria Joana observando a comemoração em campo
Assim que chegamos lá, um grande problema. Ela ficou encantada com o tamanho do estádio e deslumbrada com os jogadores em campo... só que abriu o berreiro quando percebeu que não iria jogar futebol, e sim assistir. Chorou, se esperneou e não conseguimos fazê-la entender que aquele momento não era o mais propício para que ela 'entrasse em campo'.

Chorou até cansar e depois se acalmou mais, tirou um cochilo no colo do pai e se acordou no segundo tempo. Também se encantou com as luzes vermelhas, o bandeirão, os cantos da torcida e os papeis arremessados ao campo. 

E ainda nos deu sorte, pois o Sergipe empatou com o River por 1 x 1, mas como tinha ganhado no jogo anterior, levou a vantagem do título. Na comemoração, centenas de torcedores 'invadiram' o campo e celebraram ao lado dos jogadores e profissionais do time. E então a parte mais difícil foi segurá-la pra ela não entrar no campo também. Mas deu tudo certo e ela chegou em casa cantando "É campeão!!". E continua cantando sempre que brinca de bola. 

Agora todos os dias ela me pede pra ir ao futebol. Não temos mais sossego. Hoje a chamei pra ir ao teatro e ela disse: "Não quero ir ao teatro, quero futebol!!". 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Efeitos do pilates...


Maria Joana anda tendo aulas de pilates, massoterapia e psicomotricidade na escola. A fisioterapeuta tem o mesmo nome que ela: Joana D´Arc, e é ótima com as crianças. Inclusive, a mesma me confessou que percebia a resistência de minha filha em se integrar com ela e com as suas aulas e ela nunca entendia o porquê de suas reservas. Depois, ela teria percebido que Maria Joana se intrigava com o fato de elas serem chamadas pelo mesmo nome. Com o tempo, ela aprendeu que é possível que elas tenham o mesmo  nome, e aí tudo certo!

Nos últimos dias, ela tem se interessado muito mais por uma bola grande e velha, dessas que a gente compra em um parque qualquer com o objetivo de entreter. A bola vivia parada e ela não dava a mínima atenção. Agora, sempre que vê a bola, ela se senta em cima, quer 'pular sentada', e até se deita em cima da bola - de frente, de costas... eu já alertei várias vezes para que ela tomasse cuidado para não cair. Mas alertar criança de uma possível queda é perda de tempo, né? Ou você deixa rolar ou toma a bola. No meu caso, deixei rolar, não vi nada de mais. E parei de reclamar, claro.

A questão é que hoje ela estava deitada em cima da bola, livre e relaxada, quando de repente caiu no chão e bateu a boca. Deu aquela choradinha, mas foi uma quedinha leve, logo parou. Óbvio que mandou eu dar bronca no chão, senão não seria ela. Mas disse que o chão tinha culpa e que o exercício que ela fazia poderia levar à queda mesmo, que da próxima vez ela tivesse mais cuidado.

Só depois de ter dito isso foi que me atentei para o fato de que ela estava exercitando o pilates! Agora terei que conversar com a tia Joana para que ela me oriente sobre como proceder com essa nova obsessão de Maria Joana pelos exercícios na bola. =)     

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Obesidade: um problema que não tem graça

Crianças com obesidade e sobrepeso no mundo
Por muitos anos, diferentes gerações alimentavam de maneira desenfreada suas crianças, exaltando o mito de que a criança gordinha é linda. Por incrível que pareça, ainda há quem pense dessa forma, mas as pesquisas atuais mostram a gravidade a que chegou o problema da obesidade infantil no mundo inteiro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos últimos trinta anos, o índice de sobrepeso entre crianças de cinco a nove anos aumentou mais de 200%. Ainda segundo o instituto, cerca de 33,5% das crianças brasileiras sofrem de sobrepeso ou obesidade.

Em vários países, pela primeira vez na história da humanidade, crianças apresentam sintomas de doenças de adultos: problemas de coração, respiração, depressão e diabetes tipo 2. Essas e outras nuances da obesidade infantil são destacadas no documentário “Muito além do peso”, sob direção de Estela Renner e produção de Maria Farinha Filmes (mesma equipe de produtores do vídeo “Criança, a Alma do Negócio”). Na película, é possível acompanhar casos alarmantes de crianças que sofrem sérias sequelas da obesidade, além de observar detalhes presentes na rotina da criança que contribuem para esse quadro angustiante. 

Publicidade


A publicidade de alimentos para crianças seria um fator responsável pelo crescimento assustador dos índices de obesidade infantil? O debate coloca, de um lado, a indústria de alimentos e suas guloseimas e, do outro, as organizações de direito do consumidor e sociedades médicas.  No Brasil, já existe controle sobre a propaganda de publicidade e de bebidas, mas não há uma legislação específica para a publicidade de produtos infantis, o que causa preocupação em diversos setores da sociedade. Durante o vídeo em questão, são exibidos vários relatos de crianças que compram e consomem determinados alimentos da categoria fast-food ludibriados pela propaganda. 

“Nós temos relatos de mães e pais que dão refrigerantes para os filhos menores de um ano na mamadeira. Mas eles não sabem a gravidade do que estão fazendo. Ela imagina que, se aquele produto existe, se há uma propaganda regulamentada, se aquilo está associado ao bem-estar e ao sucesso, por que ela iria imaginar que seu filho não deve consumir aquilo?”, alerta o pediatra Fábio Lopez, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. 

Para o deputado Salvador Zimbaldi (PDT-SP), relator do Projeto de Lei 5921, que tramita há mais de 10 anos na Câmara dos Deputados e que pretende proibir a publicidade destinada a vender produtos infantis, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) tem sido ineficaz na fiscalização das agências publicitárias do país. “Hoje, estamos convivendo com a população infantil obesa, por conta do consumismo, do sedentarismo. O que queremos, na verdade, é buscar um meio termo para que a propaganda não venha a ser restrita, mas, por outro lado, também não haja um incentivo, um estímulo absurdo ao consumo, conforme estamos vivenciando hoje”, afirma o parlamentar. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Alana já mostrou que a criança tem influência sobre as compras gerais da casa em cerca de 80%.

Alimentos industrializados

De acordo com pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cerca de 56% dos bebês tomam refrigerantes antes do primeiro ano de vida. No mesmo filme, “Muito além do peso”, é possível perceber centenas de crianças que tomam Coca-cola todos os dias. No entanto, os próprios pais dessas crianças se surpreendem quando descobrem que, ao final de um mês, seus filhos ingerem cerca de 1,110 kg de açúcar somente com o refrigerante. 

Nos supermercados, é comum observar crianças comendo cheetos, enlatados, tomando refrigerantes e consumindo outros industrializados, tudo com a conivência dos pais, na maioria das vezes ingênuos quanto à gravidade do consumo desses alimentos. “Se nós apontarmos alimentos específicos responsáveis pela obesidade, o primeiro da lista são as bebidas açucaradas: refrigerantes e sucos industrializados. Nas crianças, isso significa um acréscimo de 250 kcal por dia. É uma quantidade pequena em excesso de calorias que contribui para a obesidade”, destaca o diretor da Divisão de Nutrição, Atividade Física e Obesidade do Centro de Prevenção e Controle das Doenças dos Estados Unidos, William Dietz, durante o filme. 

Na mesma película, as crianças são unânimes nas preferências pelos industrializados e no desconhecimento quanto às frutas, verduras e legumes. Nesse sentido, os profissionais chamam a atenção para a responsabilidade dos pais. “Há muitas coisas que eles podem fazer. A comida de verdade precisa fazer parte do nosso cotidiano. Precisamos fazer compras com as crianças, cozinhar com as crianças, plantar com elas. A comida precisa se tornar um valor central, precisamos comer junto com elas. Os pais podem diminuir o horário que as crianças passam em frente à TV e estimulá-las a brincar. Nós temos que resgatar essa parte das nossas vidas. Enquanto a situação continuar do jeito que está, veremos situações de obesidade e diabetes dispararem”, afirma a chef, escritora e educadora Ann Cooper, diretora do Projeto “School Food”, nos Estados Unidos. 

*Texto originalmente publicado na coluna sobre maternidade, no Jornal da Cidade de domingo, 17/02.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O "trauma" do básico na escola

Quando eu era criança, sempre ficava encantada com os estojos coloridos e cheios de botões de minhas colegas de classe. Com tudo, na verdade. Aquelas mochilas de princesas, borrachas de vários formatos, lápis coloridos, cadernos cheios de penduricalhos, canetinhas cheias de brilho e todos os itens de papelaria mais caros que meus pais nunca podiam comprar. Lá em casa eram três matrículas, três listas de livros e três mensalidades. Ou seja, tudo o que usávamos era do mais básico dos básicos: aquela borrachinha azul e vermelha (que mais borrava do que apagava), lápis preto e mochila básica. E olhe que meu pai sempre reclamava dos gastos. A nossa novidade era aquele lápis que tinha contas de matemática. Não fazíamos nem a ponta, para não gastar. 

Canetinhas coloridas... =)
Quando comecei a estagiar (já na universidade), passei a me deliciar nas papelarias. Comprei todas as canetinhas que podia, estojos, cadernos coloridos, porta-canetas cheios de funções... tudo aquilo que eu fantasiava, agora eu podia comprar. E levava tudo para usar no trabalho, na minha mesa. E desde então é uma mania que carrego até hoje. Não posso ver uma papelaria. 

Mas agora virei mãe. E desde então, na hora de comprar os materiais escolares de minha filha, eu fico atordoada. Tenho vontade de levar tudo o que eu queria na minha época, mas tem dois 'poréns' aí: o primeiro é o bolso, claro. E o segundo é que eu não quero acostumá-la a isso. Se eu comprar a bolsa da Dora esse ano e no próximo eu não puder, como é que eu vou explicar isso a ela, que a essa altura do campeonato já estará totalmente mimada? Além disso, se ela chegar na escola com toda a parafernália feminina e colorida, como fica aquela coleguinha que leva para a escola "o básico dos básicos", como eu? Não podemos caminhar na maré do consumismo infantil. E, não nos enganemos. As crianças são as maiores vítimas dele. 

No último Natal, minha sobrinha de cinco anos pediu à mãe um tablet, alegando que a coleguinha de turma tinha um e ela não tinha. Eu disse a ela que não sabia o que era um tablet e perguntei para que servia. E ela me respondeu, dando de ombros: "Pra jogar joguinhos, oras".

Então, eu fico me perguntando: será que os pedagogos não percebem os traumas que são criados nas crianças por conta desse consumismo e não desenvolvem maneiras de barrar esse tipo de coisa na sala de aula? Por exemplo: seria errado conversar com os pais de uma criança de cinco anos e pedir que eles, por gentileza, não permitissem mais que ela levasse um tablet para a sala de aula? Se você tivesse cinco anos, iria se concentrar nas atividades com uma colega do seu lado jogando no tablet? Assim como minha sobrinha, tenho certeza que todas as outras crianças chegaram em casa pedindo um tablet aos pais. E por aí vai o estímulo ao consumismo e a desvirtuação do papel da escola.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A primeira vez no teatro

Depois de vencer a insegurança, decidimos levar Maria Joana pela primeira vez ao teatro. Decidimos de última hora assistir à peça musical "As mulheres de Hollanda", baseada nas obras de Chico. Meu receio era o de ela não gostar do ambiente, chorar, gritar ou não se comportar de alguma forma que incomodasse o resto da plateia.

Mas essa semana vi a foto de um casal amigo junto com o filho - de idade semelhante à de Maria Joana - no teatro. Então, antes de sairmos, eu a chamei, mostrei a foto no Facebook e disse: 

- Olha só como Arthur ficou comportadinho no teatro... a mamãe dele me disse que ele adorou e nem chorou, porque ele já é mocinho.  

Ela ficou olhando, sorriu e pediu pra ver mais fotos. Mostrei mais fotos de outras crianças dizendo que elas estavam no teatro, sentadinhas e comportadas, sem medo de nada - mentirinhas como essa não levam ninguém ao inferno. E antes de sair expliquei que no teatro as luzem seriam apagadas para que a gente pudesse ver melhor a peça, mas que ninguém tinha medo disso. Ela ficou empolgada, me prometeu que não choraria e então saímos.

Lá, percebi que ela ficou intimidada com a quantidade de pessoas e com o tamanho do ambiente, observando tudo calada e de olhos arregalados. Na hora que as luzes se apagaram, ela deu um pulinho e se assustou, mas expliquei novamente que era normal, que isso acontecia no teatro. Ao contrário do que pensávamos, ela se comportou divinamente, aplaudindo quando todos aplaudiam e observando a peça com tanta atenção, que me perguntei o que estaria se passando na cabeça dela naquele momento.

Mas, em uma cena que retratava a repressão da ditadura, ela se virou para mim, apontando para os atores, e balbuciou, indignada:

- Mãe, olha pra ele...

Eu não sabia o que dizer... fui pega de surpresa. E acabei dizendo que eles estavam brincando, que ninguém machucaria ninguém. Mas acho que não expliquei muito bem o contexto. Vamos ver se na próxima eu me saio melhor nas respostas.

Pena que ela dormiu no meio da peça, mas na próxima tentarei levá-la mais cedo. Hoje pela manhã, perguntei novamente se ela havia gostado do teatro e ela disse que sim. E perguntou pelas músicas..

- Cadê as músicas, mãe?  

=)



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Senso de coerência e justiça

Quem nunca se preocupou em exercer de fato a coerência no seu dia a dia, com certeza entra em crise quando a criança da casa chega na casa dos 2 anos. Não é apenas no Facebook que as pessoas te julgam por praticar atos diferentes do que você posta na sua timeline. Em casa, um ser de meio metro já sabe apontar o que você faz de certo ou errado de acordo com os valores que ele acabou de aprender.

Crianças reproduzem as situações à sua maneira
Você manda ela calçar os pés, mas anda descalço? Não se surpreenda se ela chegar com a sua sandália nas mãos, mandando você calçar. Você diz que é feio gritar? E se, no meio de uma bronca que você estiver direcionando a ela, você ouvir que o que está fazendo é feio? Você ensina ela a pedir desculpas e assumir os erros? Então se acostume a pedir desculpa aos outros na frente dela, senão ela vai mandar você fazer isso quando perceber uma situação de conflito. Deixou comida no prato? Jogou alguma coisa no chão? Ihhh... é bronca! 

Há poucas semanas estou aprendendo a lidar com isso - e segurar o riso quando a situação exige concentração. Nas pequenas ações do dia a dia, minha filha me cobra a mesma postura que eu cobro dela. E a memória desses pequenos não é fraca não, viu?! O seu erro de hoje é o mesmo de duas semanas atrás, na concepção deles.

Não acho que uma criança de 2 anos deva saber o que é coerência. Mas sabe praticar muito bem no dia a dia o senso de justiça. Se eu tenho que fazer isso, por que você faz diferente? E não adianta exercer a máxima da autoridade repressiva que você aprendeu: "Por que eu sou sua mãe...". Ela pode até ficar caladinha na hora, mas percebe que, pelo menos na sua casa, as situações não são justas. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A "furmiga" encrencada

Estávamos na cozinha e, enquanto eu lavava os pratos, Maria Joana estava sentada no chão, comendo um brigadeiro. De repente, ela se levantou gritando e, quando eu perguntei o que havia acontecido, ela disse indignada:

- A "furmiga" quer roubar meu chocolate!!

Eu disse: 

- Manda ela embora, ué.

Segundos de silêncio...

- Sai daqui!! Vá embora. Você "tá" encrencada, mocinha.


hahahahaha =)